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Temas

Tema : Identidades e Dinâmicas de Reconfiguração Urbana na Era Digital

Pretende-se refletir sobre temas da morfologia urbana propondo como reflexão central o papel da forma urbana na construção e afirmação da identidade dos lugares na era digital e em tempos de mudanças nos modos de produção, consumo e perceção do espaço construído.

Sub Temas

1. Ideologia e Forma urbana

2. Equipamentos Colectivos e Forma Urbana

3. O Tempo e a Forma Urbana

4. Morfologias Urbanas em Espaços Periféricos

 

Nota: A comissão organizadora poderá vir a introduzir novos subtemas

 

1. Ideologia e Forma urbana


“A cidade que vimos (…) não é um fenómeno natural. Não é orgânica. Não é um acidente. Não foi esculpida pelo desejo de cidadãos operando num mercado livre. Ela foi modelada por poderosos incentivos financeiros, investimento público massivo e leis estritas definindo de que forma o solo e as vias deveriam ser desenvolvidas e usadas.”
Charles Montgomery in Happy City

A forma material da cidade e o espaço que configura constituem uma estrutura significante relativamente estável sobre a qual se constroem-se narrativas ideológicas mutáveis no tempo.

Na linha temática IDEOLOGIA E FORMA URBANA pretende-se discutir de que modo as diferentes morfologias urbanas se vão adequando aos distintos discursos ideológicos que delas se apoderam, de que modo os condicionam ou os fomentam.

Esta questão não é obviamente independente das políticas de solos e dos diferentes sistemas de produção do espaço urbano, operacionalizados através dos instrumentos de gestão territorial, que usualmente produzem morfologias específicas, que virão a conter discursos ideológicos subjacentes de modo mais ou menos explícito.

O espaço que daqui resulta, mais ou menos urbano, produz modos de vida distintos, sendo importante analisar a relação causa-efeito entre as ideologias e políticas de produção do espaço e a qualidade de vida de quem o habita, em termos de identidade, saúde, inclusão e sentido de pertença.

 

2. Equipamentos Coletivos e Forma Urbana


"Estas conclusões sugerem que, ao simplesmente se alterar a aparência e estrutura física dos 3 primeiros metros de uma fachada, é possível exercer um tremendo impacto na forma como a cidade é usada. Não apenas porque as pessoas estão mais disponíveis para andar a pé num ambiente urbano com fachadas abertas e vividas, como também porque a forma como se comportam em tais sítios se altera. Elas param, olham em volta; absorvem a sua envolvente num agradável estado de afecto positivo e com um sistema nervoso atento e desperto. Por causa deste tipo de influência, estas pessoas querem de facto estar ali."
Collin Ellard in Places of the Heart

Os equipamentos colectivos desempenham um papel determinante na organização e forma da cidade. Constituem referências na imagem dos lugares urbanos onde se inserem e, desejavelmente transmitem memórias, criam laços sociais, valorizam a comunidade local e reforçam a identidade urbana colectiva. Outras vezes, porém, afirmam-se como rupturas no tecido urbano, desconectando a envolvente face à sua escala e oferecendo à rua fachadas cegas e monótonas, que parecem ampliar a distância entre dois pontos e desincentivam o andar a pé.

A importância da sua centralidade (topológica, funcional e simbólica) no tecido urbano assegura as necessárias relações de complementaridade e de articulação, quer entre os distintos equipamentos (educativos, de saúde, culturais, recreativos, desportivos, de consumo, etc.) quer com os espaços de habitar, e permite a sua integração a diferentes escalas de aproximação – da cidade ao bairro.

O tema EQUIPAMENTOS COLECTIVOS E FORMA URBANA pretende analisar a relação estabelecida entre os equipamentos colectivos e a forma urbana, discutindo, entre outras as seguintes questões: de que modo os equipamentos colectivos contribuem para o desenvolvimento de novas formas urbanas e urbanidades? de que modo reforçam identidades locais, promovem a interacção social e contribuem para a valorização do espaço público? ou, pelo contrário, se impõem como fachadas maioritariamente impermeáveis que desincentivam a vivência urbana? qual o seu papel para a definição da identidade urbana da cidade tradicional, da cidade moderna, da cidade contemporânea, de áreas de urbanização difusa e periferias, nos seus múltiplos desafios e exigências? quais as consequências da sua instalação em locais periféricos seguindo lógicas de localização em espaço disponíveis de menor custo e de acessibilidade automóvel?

 

3. O Tempo e a Forma Urbana


"Ao contrário de megaprojectos, apenas com novos edifícios, que requerem um tempo específico e criam uma enorme disrupção, o projecto Barcelona Linear vai acontecendo peça a peça, ao longo dos anos, e a comunidade em volta do mesmo continua a funcionar dentro da normalidade, adaptando-se e acomodando a mudança, a nova população e as novas actividades, à medida que aparecem. Cada peça tem o seu próprio tempo e, independentemente de ser terminada mais cedo ou mais tarde, não afecta o todo. Este aspecto pode ser visto como uma tolerância ao tempo."
David Slim in Soft City

O tema O TEMPO E A FORMA URBANA visa abarcar uma visão geral do efeito do tempo na forma e no espaço urbano. A par das condições geográficas de um local de implantação de uma cidade e das condições económico-financeiras que condicionam o seu desenvolvimento, o tempo assume uma dimensão determinante para a atribuição da sua configuração, quer da forma do edificado, quer do espaço, quer ainda da relação entre os dois.

O objectivo é o de estabelecer a correlação entre a(s) forma(s) da cidade e os vários tempos que a afectam ao longo da sua vida, desde a fundação, até à contemporaneidade, a partir de quatro tipos de reflexão: A que versa o tempo enquanto factor determinante da morfologia original da cidade, isto é, o tempo histórico do nascimento da urbe; A que questiona as transformações da forma e do espaço urbanos, operadas pelos ciclos de expansão (que convocam e impõem novos modelos) e de retracção (que consolidam ou reinterpretam os existentes); A que analisa os tempos dos diversos momentos de feitura do urbano - parcelamento, infraestruturação e edificação; A que revela a importância dos momentos de ruptura na evolução e desenvolvimento da forma da cidade, quer por consequência de catástrofes naturais, quer pelo aparecimento de novas propostas urbanas, edificáveis ou utópicas.

O tempo é também essencial para o sentido de identidade e para a memória colectiva; é, eventualmente, a único bem que não pode ser produzido e também, o mais democrático e o mais precioso. Pela sua morfologia, a cidade empresta ou rouba tempo ao dia-a-dia de quem a habita. Este aspecto, intimamente relacionado com o tipo de mobilidade que a cidade proporciona, merece também, ser alvo de reflecção neste tema.

 

4. Morfologias Urbanas em Espaços Periféricos


"Os grandes projectos de edificação precisam de mais ruas e praças com uma estrutura diferenciada que inclua ruas principais e secundárias, bem como largos principais e secundários - tal como se observa nas antigas cidades. Por vezes encontra-se este princípio nas áreas suburbanas e nos projectos de edificação funcionalistas. Geralmente, contudo, está de tal modo diluído e espalhado, que as "ruas" tornam-se estradas e as "praças" tornam-se enormes e indefinidas áreas abertas desprovidas de pessoas"
Jan Gehl in A Vida Entre Edificios

O tema MORFOLOGIAS URBANAS EM ESPAÇOS PERIFÉRICOS pretende recolher contributos sobre a construção (processo e forma) do espaço urbano feita em territórios que serviram de bacia receptora para os neo-urbanos, vindos quer de universos rurais, quer de universos urbanos centrais quer ainda dos próprios espaços periféricos.

O objetivo é procurar obter no final a sistematização possível para as múltiplas realidades escondidas no que genericamente se designa como periferias. Esse destapar das realidades periféricas, sejam elas de autoconstrução ou não, sejam elas recentes ou não, sejam elas atrativas ou não, deverão sempre que possível sublinhar a relação íntima ou indireta entre a morfologia (sub)urbana e a sua condição identitária e os esforços que têm, ao longo dos tempos, vindo a ser desenvolvidos no sentido da sua reconstrução (quando negativa) ou da sua promoção (quando virtuosa).

Neste tema, valerá a pena avaliar de que modo periferias, demasiadas vezes monofuncionais, repetitivas e assentes em espaços públicos excessivamente amplos e sem escala humana, desconectam os seus habitantes - uns dos outros e da cidade central. E analisar o modo como o realojamento social quebra, tantas vezes, o sentido de comunidade existente nos bairros clandestinos que substitui.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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